Thin clients vão mudar os computadores, afirma Maddog
Kauê Linden: Em 2007 o número de computadores no Brasil aumentou em 44%, e o número de usuários com acesso à internet está crescendo muito também. Como podemos incentivar os novos usuários a usar software livre?
Maddog: Uma infinidade de coisas. Em primeiro lugar, o governo fiscalizar mais os softwares piratas. O interessante da coisa é que eu falei com a Microsoft, alguns gerentes de produto da Microsoft, e eles dizem “nós preferimos que as pessoas usem nosso software pirata do que software livre, porque usando software livre eventualmente elas ficarão acostumadas e não comprarão nosso software nunca”. Mas a Microsoft também financia a Business Software Alliance, uma organização que processa pessoas por aí por usarem software pirata. Eu considero um pouco hipócrita.
Se o governo fiscalizasse de verdade e fizesse com que as pessoas parassem de usar software pirata - como já é feito na China -, se a Microsoft ativasse todo o programa de proteção a pirataria que já vem embutido no seu sistema, ou se o governo criasse computadores de inclusão digital que não fossem capazes de executar satisfatoriamente o sistema da Microsoft mas rodassem bem software livre, então tudo isso reduziria significativamente o modelo de software pirata que nós temos e encorajaria o uso de software livre.
Outra coisa importante é o conceito de Padrões Livres (Open Standards). Por exemplo, o formato MP3 é um padrão para música digital, mas tem patentes muito profundas sobre ele. É praticamente impossível criar um tocador de MP3 sem pagar royalty a uma ou mais empresas. O Ogg Vorbis é um padrão de música livre e faz um trabalho melhor que o MP3. O problema é que poucas pessoas o utilizam. Eu tenho um tocador portátil capaz de tocar música Ogg Vorbis. Se nós encorajássemos as empresas a produzir estes aparelhos, recusando modelos que só tocam MP3, ajudaríamos o padrão Ogg Vorbis a ganhar mais e mais suporte. Talvez ficássemos livres de pagar royalties às patentes do MP3.
Nós precisamos ter padrões nas empresas e no governo que sejam implementados livremente, dessa forma as empresas não precisarão pagar royalties. Como encorajamos mais pessoas a utilizarem software livre? Acredito que parte é desenvolver formas novas e inteligentes para as pessoas usarem software livre para reduzir seu custo, o que é mais difícil de fazer usando software proprietário.
Uma dessas maneiras é o modelo de thin client. Você tem servidores que carregam todos os programas e dados do usuário, e uma série de thin clients bem pequenos que apenas acessam os dados e os programas. Utilizando programas da Microsoft, você precisaria de uma licença para cada thin client. Com software livre, você não precisa de nada disso. Então o custo do sistema como um todo é bem mais barato do que seria com software proprietário.
KL: O que é um thin client?
Maddog: Um thin client é basicamente um computador com poder de processamento, memória e conexão de internet suficiente para transferir informação em altas velocidades, mas que não executa os programas em si, e sim no servidor. Isso é importante hoje em dia porque a maioria dos computadores PC hoje são perfeitamente capazes de suportar 8 ou mesmo 10 usuários ao mesmo tempo, particularmente usuários utilizando programas de escritório ou navegando na internet. O thin client pode ter um gasto energético muito reduzido, ser bem pequeno e sem ventoinhas, sendo bem silencioso. Pode até mesmo ser incorporado ou montado atrás de um monitor LCD. Isto significa redução no gasto de energia elétrica, redução na dissipação de calor, redução do barulho numa sala de aula ou escritório e todos os dados e programas estão no servidor. Isto é parte do cenário que o Koolu trará.
KL: O que é o Koolu?
Maddog: Koolu é uma companhia que está trazendo para o mundo um computador de baixo custo, baixo gasto energético e ecológico. Nós acreditamos fortemente no tipo de arquitetura de thin client onde há o mínimo de software no computador do usuário e todo o trabalho é feito por um servidor. Mas, ao contrário de outras companhias, nós também acreditamos que o cliente deve escolher onde o servidor deve ficar. Se ele quiser o servidor bem próximo, no porão de casa ou no seu apartamento, tudo bem. Se preferir guardar os dados bem longe e mantê-los numa solução de armazenamento, também está bem. Nós lhes damos escolhas.

KL: Já existe algum Koolu funcionando no Brasil?
Maddog: Até agora nós tivemos basicamente demonstrações. As pessoas estão tentando entender o modelo, compreender do que ele é capaz. Muita gente não acredita que essa pequena caixa que usa apenas 15 a 20 watts de energia pode realmente fazer o mesmo trabalho que o computador bem maior sobre a mesa. Assim que as pessoas descobrirem que “sim, pode ser feito” e “nós reconhecemos a rentabilidade do seu modelo”, então eles começarão a comprar mais sistemas.
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Assista ao vídeo gravado por Maddog para a Hostnet:
